Quinta-feira, Novembro 05, 2009

De Modo Algum, Nunca, Jamais

Quando era pequeno, dizia que odiava suco de ameixa. Meu pai me forçou a experimentar e, na hora, disse que era horrível, mas se tornou um dos meus sucos preferidos.

Um tempo atrás, uma namorada me disse: ou você aprende a dançar forró ou a gente termina o namoro. Besta e apaixonado, comecei a aprender a dançar. Dizia que só estava fazendo aquele sacrifício por ela, porque, mais entrevado do que eu, impossível. Contudo, a dança se tornou algo tão legal que hoje faço dança de salão e frequento bailes regularmente.

Esporte sempre foi algo que nunca mereceu qualquer compromisso de minha parte. Entretanto, meu ortopedista disse que eu estava obrigado, o resto dos meus dias na terra, a fazer natação. Lamentei amargamente, claro. Pouco tempo depois, já estava nadando sempre que possível, preferencialmente no mar, no mínimo, 1km.

Na natação, meu professor disse que meu tempo com ele estava com os dias contados e que ele já tinha conversado com a técnica da equipe de competição do estado e era pra lá que eu deveria ir. Eu argumentei que odiava competir e que não tinha espírito competitivo. Agora que terminou o Campeonato Brasileiro de Masters de Natação, a equipe e eu, já estamos super-empolgados para participar do próximo e para ganhar mais medalhas.

Quando estava na faculdade, e mesmo depois de formado, sempre disse que nunca seria advogado, que não tinha jeito para a profissão, etc. É... Pois é... Pura ironia, não?

Só peço a você, meu caro e estimado amigo, por favor, não me obrigue a fazer absolutamente nada que você já sabe que vou odiar, certo?

Sexta-feira, Outubro 30, 2009

Transparente

Amiga, perdoe minha masculinidade.

Amo cada hora que passo contigo, a troca de confidências, as caminhadas na areia, a contemplação do céu, o nascimento da lua, a leveza com que danças comigo. Fico ansioso para te contar as as novidades e as bobagens. Divirto-me com as suas histórias, com as suas fantasias, com seus desmantelos e confusões. Considero que és o tipo de pessoa que é companheira para a vida toda. Mulher que é dádiva para o homem.

Mas (sempre tem um "mas") não sinto o mesmo que sentes por mim. Não me entenda mal. Eu queria sentir, mas sou escravo da minha masculinidade, dos meus olhos, para ser específico.

Hoje entendo o conflito de Brás Cubas. És minha Eugênia. Meus olhos não veem a beleza que tens. Proíbem-me de desejar-te.

Quarta-feira, Setembro 30, 2009

Brev-ida-de...

Correu e, onde o chão acabou, saltou.

Na ascensão, abriu os braços como um pássaro, pôs a cabeça para trás e estufou o peito. Estava alçando voo, libertando-se do chão, exibindo sua leveza. O sol, a brisa, os irmãos pássaros, o planeta inteiro compunham a cena que pintor nenhum conseguiria capturar. Seu corpo refletia o brilho do sol e sentia-se quase tão quente quanto. O peito rimbombava sem nenhuma discrição. Seu rosto não escondia o gozo. Transcendia.

No instante seguinte, pôs os braços a cima da cabeça que reclinava, preparando-se para o mergulho. Estava pronto para descer às profundezas da terra. Mergulharia no desconhecido. Essa realidade iminente não lhe trazia temor. Ao contrário, exitava-o ainda mais. Aguardava pelo contato. Já provara suficientemente o céu. Rijo feito um torpedo desceu.

Desde o salto até aquele momento, que fração do tempo transcorrera? Seu relógio só marcava em eternidades. Até ali já tinha se passado algumas.

Quando os dedos tocaram a superfície, descobriu que não havia profundidade. Não portava um cinzel para penetrar numa rocha. E tal como um torpedo, destruiu-se no obstáculo. Não imaginava que estava mergulhando num lugar tão raso ou que encontraria um obstáculo tão cedo. Talvez houvesse sim, profundidade, mas colidiu em algo intransponível. Não conseguiu furtar-se daquele fim.

Despedaçado ficou, mas não por muitas eternidades. Por uma fração de tempo pensou se poderia ter sido mais prudente e, quase imediatamente, demoveu essa ideia. Prudência serve apenas para a exatidão matemática. O sentimento é imprudente. Em breve, sararia e saltaria novamente.

Segunda-feira, Agosto 31, 2009

Firewall ineficiente

O que é isso que me move a fazer algo por ela, para o proveito dela, que ela nunca saberá o quanto me custou, mas que faço sem questionar?

O que é isso que converte sua satisfação em paga suficiente pelo energia dispendida e pelas horas consumidas unicamente no intuito de surpreendê-la?

Posso apenas sugerir que houve uma falha na minha programação, talvez um ataque viral, muito embora não consiga diagnosticar com precisão a fonte do erro, nem isolar as sub-rotinas atingidas em meu sistema.

Ela deve ser uma hacker.

Quarta-feira, Agosto 12, 2009

Num reino não muito distante...

Muito me entristeci com as notícias do mensageiro.

Mais de 210 mil ducas foram roubados pelo conselheiro do rei, representante do condado das florestas de Avilan, Thurar Liovigi. Quando foi descoberto, imediatamente devolveu a quantia e arquivaram a denúncia. Ante este fato, ainda discursaram no Conselho Real apontando-o como exemplo de transparência e honestidade.

Numa nota não muito distante dali, 5 centímetros, aproximadamente, conta a história de um menor L. E. S. O. que furtou um chapéu e uma bengala de um Lord foi pego pela cavalaria real. Apesar de devolver os objetos furtados e não poder ser levado ao cárcere, o menor foi internado na Santa Casa da Misericórdia do Lago de Março com uma costela quebrada e vários hematomas pelo corpo. A irmã, que não quis identificar-se, informou que se ele tivesse dois anos a mais, teria ido direto ao cárcere, naquele estado de saúde.